domingo, 27 de dezembro de 2009

Indignação?

Fui ao cinema, assistir a um show pirotécnico que é o filme em 3D. Chegando e pagando um absurdamente caro ingresso, recebo um par de óculos para ver os efeitos em 3ª dimensão. Essa merdinha deve custar centézimos de reais. Mas eles exigem de volta na saída. Tudo bem, não quero ficar com esta coisa grotesca mesmo.

O revoltante foi na saída. Havia uma aglomeração incomum na porta, e a pequena multidadão avançava lentamente a passos curtíssimos como num ato religioso. Mesmo depois de terminada a subida dos créditos na tela, havia gente se expremendo na saída. Eu pensando que isso nunca acontecia já que o tamanho da porta do cinema é calculado pra manter o fluxo do número de pessoas que sentam nas cadeiras.

Quando me aproximei, vi que apesar de estarem abertas ambas as portas de saída, o fluxo era expremido por um banner e um segurança, que impeliam as pessoas a saírem de par em par para deixarem numa bandejinha os óculos 3d.

Ah!!! Putaquemepariu!! Ninguém vai falar nada? Ninguém reclama? Quem vai querer levar essa merdinha de óculos?

Chegando eu na porta, chutei o banner e joguei os óculos na bandeja.

Alguma menina atrás perguntou:

– Credo! Por que ele fez isso?

O acompanhante dela respondeu:

– Claro! Porque isso tá errado!

Eu preciso explicar o porque?

Esse é um exemplo pequeno do grau de submissão que nos rendemos. Aceitamos todas as formas de privação de liberdade, mesmo que seja de um gerentesinho de merda dum cinema que não é capaz de colocar mais algumas bandejas na saída do cinema.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Mais uma pro léxico: Beleza.

O peso do senso comum me perturba. Eu poderia citar inúmeros exemplos, mas calhou de ser este a me perturbar esta manhã.

O conceito de beleza.

Acho curioso eu ter sentido necessidade de criar um termo que seja, para mim, mais específico do que belo. É o interessante. As vezes sei que pela simples harmonia de cores e formas, alguma coisa ou pessoa se encaixa automaticamente no prateleira da beleza. Mas não é esta prateleira que me interessa, eu nem sequer acho bonito, não é daqui que eu tiro minha leitura. Leio daquilo que me provoca, que me move, que me comove, que, por vezes, nem está numa prateleira.

Quando confrontado com a perguta "O que vc acha disso?"

Eu gostaria de poder responder simplesmente "Belo!" – mas geralmente meu interlocutor não se aproxima do contexto, então eu tenho que emitir um político "Interessante."

domingo, 13 de dezembro de 2009

Sábado a noite.

Sábado estava eu, fazendo minhas coisas corriqueiras para aguentar esta merda de vida quando me surpreendi perguntando:

- O que diabos estou fazendo, usando óculos com a luz apagada tocando uma guitarra desplugada, deitado na cama num sábado a noite ouvindo musicas que nunca ouvi da minha playlist?

A resposta veio esmagadora:

- Evitando assim de ir num lugar metido a chique, implorando pra entrar, pagando caro, implorando por uma bebida, pagando caro, e depois implorando pra ir embora, pagando caro.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Escreve no comentário!

- Porra, Marreiro, não atualiza aquele teu blog, lá?
- Não.
- Mas porque não? Dou várias risadas com ele!
- É um saco! Ou você acha que eu vou passar o dia todo procurando coisas pra me sentir puto? Tá louco? Além do mais, não dá dinheiro e todo mundo tem uma opinião pra dar. O mais foda são os contra-argumentos que recebo por MSN. Caralho, meu, escreve nos comentários! Me deixa em paz. Quer me deixar puto? Me pede pra atualizar o blog.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mais da série: "Dá pra imaginar?" – Gato por lebre!

A mulher desavisada comprando um coqueiro:

- Oi, senhor, teria aí um coqueiro?
- Sim, dos grandes, olha que verdejante suas folhas!
- Que lindo, quanto custa?

Neste momento, passava um adolescente.

- Qué isso véi? Tá crazy? Isso daí é uma porra de uma palmeira! Vai dar um K.O. na tia?

Nisso, o velho e educado vendedor emendou.

- Não se trata aqui de ser ou não ser um determinado tipo de vegetal, minha criança. Entendo teu ponto de vista, sou solidário ao teu sofrimento e instisfação. Mas convenhamos este coqueiro está muito além de nossas discussões filosóficas. Perdoe o garoto minha honrada dama. Toma, leva este coqueiro pelo preço de uma palmeira.

Tendo a mulher levado a palmeira, o adolescente olha para o velho que sorri:

- Ah, seu velho! Vai tomar no cú! Trapaceiro do caraho.
- Por que tanta animosidade, garoto? Não entende que a palmeira transcendia tua vã opinião e transparecia um coqueiro? E vai ser um coqueiro enquanto aquela pobre mulher assim desejar. E todo mundo fica feliz, exceto você, seu maleducado.

Freia, caralho! Eu tô na faixa!

O CTB diz: Na falta de sinalização o pedestre tem preferência. Também aprendemos que sinalização de solo é tão importante quanto uma sinalização vertical. Então, a porra da faixa é uma droga de sinalização. Lá diz: Motorista, se encontrar uma faixa dessas com pedestres se aproximando, por favor respeite a vida no transito e pare, permitindo o fluxo daqueles que optaram por não entrar nessas caixinhas opressoras, simbolos do capitalismo e analogias da virilidade.

Alguns antropologistas acreditam que o homem desenvolveu uma capacidade de determinar se um grupo que se aproxima seria amistoso ou hostil simplesmente analisando suas feições. Alguns extendem essa percepção aos animais ferozes ou não. Eu digo que essa percepção está sendo subvertida em uma forma de apelo primitivo pelos designers de automoveis. Os carros são cada vez mais ferozes, com um "semblante agressivo" que só faz aumentar a competitividade por espaço e a agressividade dos motoristas. Aumenta também a ilusão de poder e o desprezo por aqueles que são mero pedestres.

É impressionante a impressão de bondade que fica naqueles poderosos motoristas quando permitem que simples pedestres atravessem NA FAIXA.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Excessivamente alegres!

Eu sou um perdido mesmo!

Não consigo entender como as pessoas conseguem se divertir tanto na balada. Parece uma alegria desproporcional ao que está acontecendo. Eu até dou algumas risadas, mas as mesmas que eu daria em qualquer lugar que estivesse com um amigo.

Dançar? Tá louco? Pra que? Quero não. Quero balançar a cabeça como um retardado e pular num ritual tribal ao som de uma banda lixo qualquer pelos cantos da cidade. De mau humor mesmo.